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05 maio 2007

O Poeta


Vagueias à procura da rima perfeita, para lhe seres fiel
a mágoa que tens contida em ti, transforma-se em ideia
e letra após letra, vais deixando a tua marca nesse pedaço de papel
numa luta constante contra o eufemismo que te incendeia

Quem és tu que escreves a dor, a mágoa, as paixões
Quem és tu que choras o desamor e te apaixonas pela atracção
Quem és tu que abalroas as convicções, sem pavor das retaliações
Quem és tu, que mesmo sabendo, deixas-te levar pelas emoções

És a voz de um colectivo revoltado, a alma de um povo resignado
sem quereres és Pessoa, és Bocage, és letrado e iletrado
buscas a força numa quadra, onde choras por seres mal amado
culpas a raiva pela dor que sentes, por cada vez que és maltratado

Porque escreves ao tempo, quando não encontras o teu pequeno canto
Porque transformas a insónia num poema e este, na tua sorte
Porque da ode fazes o teu canto e do teu canto, o teu pranto
Porque fazes da vida uma luta constante e do outro, o teu norte

Ó alma agitada, acalma o teu peito num regaço e escreve esse feito
Fecha os olhos, ama-te à lua, faz das estrela a tua cama, o teu manto
Ó alma que buscas o perfeito, escreve de uma vez o imperfeito
engana essa dormência, bebe a Baco, liberta-te, não exijas tanto

Viaja no teu Eu masculino e feminino sê importuno
esquece a desdita, bajula a tua felicidade, desafia a veleidade
Serás sempre o poeta, dos enfermos, raivosos, do pecador soturno
E serás enaltecido, por teres vivido num pedaço de papel sem vaidade

És assim, despido de preconceito, um pecador confessando-se no que escreve, moral ou imoral sem afeição a um só conceito e com toda a tua arte, resumes a dor e o amor numa frase, mesmo que breve.