18 março 2012

Jura


(Imagem retirada da net)


Jurou saudade eterna, e não eterno amor.
Decantou a saudade e guardou a dor.
Seus olhos explanavam o que a alma não conseguia dizer
Seu rosto lívido, era a jura de amor que ficou por fazer

Os braços caídos, eram o prenúncio de uma batalha perdida
E pelo fraco pulsar das veias, intuiu que fora vencida
em mais uma batalha da vida, vaticinada por uma jura
de saudade eterna e não eterno amor, que não perdura.

O tronco outrora firme agora descascado de pudor,
Poderia ser o espelho de uma alma cheia de rubor
Tentando sustentar um sentimento não jurado
Mas que consciente ou inconsciente foi saudado.

Jurou saudade eterna, e não eterno amor
Viveu a jura sem lhe sentir o sabor
Tamanho e agonico sentimento
Que irá perdurar por tempos mas sentido momento a momento.

11 março 2012

O Beijo



Caiu com a violência do beijo.
Beijo rasgado, molhado, profundo, leve, curado, ontem aprendido hoje usado.
Beijo inocente, vadio, sadio qui çá doente.
Caiu com a violência do beijo.
Beijo intenso, rude, carnal apaixonado, ontem aprendido hoje roubado
Beijo pensado, sábio, sentido qui çá envolvente.
Caiu com a violência do beijo.
Beijo meu, teu, dado, nosso, seu usado, dado, vosso
Beijo calado, falado qui çá a ti virgem dado.
Caiu com a violência do beijo e ali ficou sem se mexer.

Olhou-o nos olhos, rasgados molhados, profundos
E leu no rosto inocente, vadio, sadio envolvente
Que o beijo intenso, rude, carnal ontem aprendido
Fora hoje usado, em seu rosto dado
Com a magnânima força de quem ama e é amado.
Mesmo roubado

12 fevereiro 2012

És





És alma em busca de ti mesmo,
Espírito em ebulição capaz de inebriar,
Por vezes desassossegado
Por vezes tranquilo

És o teu Eu passado e presente,
Onde navegas sem medo de te perderes,
Por vezes desconsolado
Por vezes extasiado

És a busca insaciável pela arte de aprender,
Perdeste com prazer nessa aventura,
Por vezes debilitado
Por vezes confortado

És essa amálgama de conhecimento,
Bebes dos corpos as palavras,
Por vezes inebriado
Por vezes ávido


És o que clama e luta com bravura,
Nessa senda que é só tua,
Por vezes cansado
Por vezes esmerado

És o que persegues e depois reescreves,
A tua razão,
Por vezes objectante
Por vezes Céptico

És um abraço apertado e não esperado,
Proveniente de uma luta solitária,
Por vezes inquietante
Por vezes amado

És...

11 setembro 2009

Quero fazer parte do Poema


Quero fazer parte do poema mesmo que este não tenha história,
Não quero fazer parte das palavras que são o meu espelho,
onde por vezes me reconheço e me sinto velho,
quando no fundo sei, que vagueio nelas, à procura da minha glória.

Quero fazer parte do poema onde o só não é mencionado,
Nem as palavras que me trazem o passado de dor.
Por isso, não quero fazer parte das palavras que são o meu fado,
Mas sim do poema que me enaltece e faz de mim vencedor.

Mesmo que ande à deriva, sem porto seguro,
Mesmo que procure o perfeito e só encontre a tempestade,
Mesmo que lute, que conheça a derrota, que não preveja o futuro,
Quero fazer parte do poema onde está a minha metade.

Quero fazer parte do poema que alguém vai declamar,
Quero fazer parte do poema que de mim vai falar,
Quero fazer parte do poema sem a dor de amar,
Não quero fazer parte das palavras pois essas, fazem-me calar.

07 julho 2009

Entre o Sono e o Sonho


Entre o sono e o sonho casa a ideia com a memória
Ergue-se a faculdade do espírito que em glória
Guarda ideias amaradas à imagem da lembrança
De uma recordação passada, de tempos de abastança

Entre o sono e o sonho, vive o estado fisiológico
Da insensibilidade dos sentidos do ilógico
Num sono eterno, de justos sem juramento
Onde a utopia abraça a imaginação sem fundamento

Entre o sono e o sonho, está o bolo fofo e doce
De farinha, ovos, frito em azeite e mergulhado em calda que adoce
Ideias quiméricas vividas num sonho imenso
Em que o ronco turbulento, denuncia um sono intenso

Entre sono e o sonho, vive a mestria com que o sonho conduz o sono
levando o corpo, a mente, ao mais profundo abandono,
aproveitado pelo colectivo para rir, cantar, dançar, ser feliz
no seu sono e sonho por ninguém roubado, nem pelo que diz

Entre o sono e o sonho, está o Eu criança,
pintado num sonho imenso, reflectido no sono colectivo
que depois de acordado, fica a ideia, a imagem e a memória
contados em segredo ou praça, alimentando a alma em forma de história

07 março 2009

Calada

Na calada da noite vagueava calada sem rumo trazendo no rosto um olhar calado e sem brilho que era o prenúncio calado, da alma triste.
Calada parada estava, olhando o norte, à espera da tempestade que calada teimava em não vir, mas já há muito esperada no calado coração que teimava em fazer-se sentir.

Calada estava, Calada, à espera que a gota caísse calada, para não acordar aquelas que caladas espreitavam pela janela, sem sequer ouvir o calado vento que passava, mas que Calada sentia roçar no seu rosto pálido, fazendo abanar o seu corpo franzino.

Calada estava a noite que no seu céu não deixou brilhar a mais pequena estrela, que ao longe calada se queria mostrar. Assim permaneceu Calada, horas e horas tentando perceber o que se passava.


Retrocedeu os mesmos passos que antes dera para ali chegar e sentou-se no chão da varanda ao lado da cadeira ocupada pela cadela, que calada também estava. Levantou-se mansamente, desceu, aninhou-se no colo de Calada e antes de pousar a cabeça, lambeu-lhe o rosto e retirou as gotas do esforço dispendido para ali chegar. Olhou-a fixamente, soltou um uivo que quebrou o calado silêncio. Calada encheu o peito de ar e deixou escapar um suspiro que na calada da noite se juntou em coro ao uivo que teimou em quebrar o calado silêncio. Calada assim ficou.

Assim ando Eu por estas bandas, calada, quebrando o silêncio de vez em quando com um uivo, expresso num pequeno texto.

08 outubro 2008

Reflexo

Foto de Samuel Martins

Reflexo da alma, da vida
de momentos reflectidos em tudo e em nada
reflexo de um desejo, de vidas vividas e passadas
reflexo da imagem num espelho, na água, na alma
reflexo de tudo e nada

Reflexos de Mim, Ti, Nossos e de Nós
de um passado recente
de uma vida dormente
de laços quebrados
entre dedos apartados

Reflexos carentes e dormentes
de amores antigos e recentes
estampados nos mais vagos semblantes
das gentes simples e pedantes, nos amantes

Reflexos no escuro da penúria e pobreza
num lamento calado de um olhar gelado
reflexos simples de um sol caído à tarde
apanhado por um abraço calado

Reflexos de tudo e nada, recente, antigo
no passado vivido, no presente amado
a alguém dado, emprestado, para ser pintado
no espelho da água ou no teu reflexo, amigo

23 março 2008

Uma Páscoa Feliz a Todos



Caríssimos, eu sei que não se brinca com coisas sérias mas, não resisti, achei deliciosa a imagem. Além do mais eu sou daquelas pessoas que está sempre a inventar acidentes para o palerma do coelho, que nem se quer um ovo põe, mas tem de o carregar durantes dias.

Irrita-me essa cena de não saber porque raio está um coelho nesta quadra festiva, em vez de uma galinha pois essa é que faz sentido. Como ninguém me consegue explicar este fenómeno, voltarei a fazer a pergunta quando der o último fôlego de vida. Pode ser que tenham pena de mim e me respondam.

Agora que já desabafei e disse o que pensava, UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS, eu sei que não preciso de gritar, mas pode ser que assim oiçam e venham cá todos buscar o ovinho.

Bjos de Moi

P.S: estou a ficar tipo aquelas gajas que nem tempo têm para se coçar e que só têm a noção que estão vivas porque mexem os olhinhos. Já nem este blog que tanto prazer me dá consigo alimentar de jeito. ACEITO SUGESTÕES DE MELHORIA

26 janeiro 2008

A Casa Mimosa

Narciso Moreira da Silva, 35 anos, solteiro, filho de pai incógnito e de mãe desprendida, nasceu e cresceu na Merdolândia. Assim chamava à sua terra. Aos 14 anos conhecia os bêbados todos e já frequentava a casa de Dª Hiponina, mulher que vivia dos serviços prestados àqueles homens que queriam dar mais de uma por mês e cujas mulheres achavam, que era muito. Escusado será dizer que também frequentava a casa do Dr Ventura, médico da aldeia, que conhecia como a palma das suas mãos os esquentamentos de cada um.

Aos 17 anos já sabia nomes como putas, meretrizes, rameiras e achava que as mulheres ou eram assim ou eram como a sua mãe. Aos 20, já não ia à Dª Hiponina. Frequentava a “Casa Mimosa” que possuia no wall uma placa cujo o escrito dizia assim:

“As nossas meninas não dão fiado, nem com a boca nem com a mão.”

Já a noite ia alta quando os ânimos se exaltaram na Casa Mimosa. No andar de cima ouviam-se passos apressados e vidros a partirem-se. O silêncio foi imediato pois todos queriam saber o que se passava e eis que, as vozes tornaram-se claras.
- Puutaaaaaa, cabraaaa, anda cá.
- Deixaaaa-me, larrrrrga-me.
- Anda cá raaaameiiiraaaa.

Ninguém queria acreditar. Mas era a voz do Narciso. Dª Mimosa não sabia se havia de subir, gritar ou desmaiar. Uma revolução daquelas, na sua casa, era mau para o negócio e daria um mau nome à casa. De repente, reconhece a outra voz e diz calmamente:
- Não preocupem, está com a Rosário.

Ouviu-se um suspiro geral de alívio e muito baixinho ouviam-se comentários como:
- AH! A Rosário doma o gajo.... – A Rosário enfarda-lhe e parte-lhe os dentes todos...
- Coitado do Narciso, foi com a Rosário.
Novo silêncio.
- Aiiiiiii cabra que me morrrrdeste, essa merrrda não serve para isssso. Vá lá Rosarinho, põe-te lá de gatas.
- Pensas que sou o quê Narciso? Alguma cadela, hein?!!!! Onde é que já se viu!!!!

Eu ouvi bem!!! De gatas!!!!! Realmente isso não é coisa que se peça a uma flôr. Dizia Dª Mimosa. Nem eu no tempo em que ainda aviava uns, recebi tamanho insulto. Isto é uma casa séria, as minhas flores não são regadas assim. Que ele fure os buracos todos tudo bem, agora de gatas não. Isto acaba aqui e agora. Quando dava os primeiros passos para pôr cobro aquela vergonha, dá conta que os berros tinham parado e lá de cima ouvia-se:
- Narciiiiisooooooo...
- Rosárioooooooooo.....Ó minha flôr... Ó meu canteiro....
- Narciiiiiisoooooooooooooooooooo, larga-me os cabelos, Narcisoooooooooooooooooo.
- Pára de dizer o meu nome que estou concentra tra tra tra tra tra....do....
- E então Rosarinho minha flôr?
- Aiiii Narciso, se jurares que me tratas sempre por “Rosarinho minha flôr”, eu prometo que tenho sempre aqui um prato, para tu partires e eu apanhar o cacos.
- Ai Rosário que me vais obrigar a estudar.

21 dezembro 2007

Natal

Se algo eu pudesse ser na vida, para além daquilo que já sou, escolheria ser velhinho com barbas brancas.
Andaria de rena, com um saco às costas qual sem abrigo.
Não estaria a distribuir presentes mas, de certeza que estaria a distribuir Saúde e Paz.
Abraçaria todos, para que durante 5m, sentissem o calor da minha alma.
Tocava-lhes o coração, para que sentissem o meu amor.
Distribuiria sorrisos, para que estes se alastrassem à face da terra.
Pelo cenário atrás descrito, os dias seriam de orgasmo (Lol).
Mas, eu sou eu por isso fica o sonho do que gostaria de ser.

A todos um Santo Natal cheio de Paz e Saúde. Que 2008 seja um ano de concretizações. Acreditem que o que estimo é o que a todos desejo.
Bjos

29 outubro 2007

Títulos de fados, silêncio que se vai declamar


Ó gente da minha Terra
Nem às paredes confesso
Que Deus me perdoe
Desejo Canalha
Estranha forma de vida
Confesso
Foi Deus

Meia Noite e uma guitarra
Lágrima
Loucura
Chuva
Recusa
Da vida quero os sinais
Há palavras que nos beijam

Há uma música do povo
Acordem as guitarras
Fado Tordo
Fado do ciúme
Quando me sinto só
Fado Curvo
Medo

Duas lágrimas no orvalho
Nasci para morrer contigo
Eu não me entendo
Se ao menos houvesse um dia
Uma vez que já tudo se perdeu
Disse-te adeus
Desejos vãos

Fado Português de nós
Complicadissima teia
O silêncio da Guitarra
Por um acaso
Fado da sina
Fado da tristeza
Fado da recaída

Que Deus me perdoe
Até Que a Voz Me Doa
Triste sina
Não me Cantes esse Fado
Aquela triste e leda madrugada
O meu fado

Fado da pouca sorte
Nasceu assim, cresceu assim
Rosa da noite
O cacilheiro
Namorados da cidade
Os putos
No amor não há segredos

Oiça lá ó Sr Vinho
O Fado da Severa
Fado do ladrão enamorado
Estranhamente
Ai Mouraria
Ela tinha uma amiga
Madragoa

O Fado mora em Lisboa
Mais um fado no fado
Tudo isto é fado

09 outubro 2007

Para Ti



Há momentos em que a voz embarga presa no pensamento,
Há momentos em que o gemido é a voz calada da saudade,
Há momentos em que o longe é efémero.

Há dias em que a lembrança vagueia numa longa estrada
na busca de um rosto, onde o sorriso é a força.
Há dias em que rimos, matando assim a voz calada da saudade.
Há momentos, em nada é um vazio e tudo faz sentido.

Há alturas em que fechamos os olhos, soltamos as amarras do sonho,
atracamos o barco, pisamos a terra firme e num ímpeto incontrolável,
abraçamos aquele que partiu, matamos a saudade num olhar
e antes de elevar a âncora, escapa-se-nos um mimo,
num segundo sai a palavra com a intensidade calibrada,
deixando bem claro no ar, a força que queríamos dar.

Há momentos assim, hoje foi um deles.

Especialmente para ti que te mudaste para longe e ao mesmo tempo perto. Parabéns

Para vós, a quem eu não tenho tido tempo de mimar.

01 outubro 2007

O que se passa?

Olá a todos

Sei que estranham a minha ausência. Como devem calcular, as férias já acabaram infelizmente mas, a minha vida está a sofrer uma reviravolta tão grande que se não a coloco em ordem dá tudo para o torto.

Eis que esta vossa amiga (espero que não duvidem), anda com o Tico e o Teco em revolução e a massa cinzenta a tentar encontrar o ponto de ordem.

Dias, por favor "OFF TOPIC" diga os palavrões todos pois tem todo o direito de o fazer e desde já lhe digo com toda a razão.

Amaral, tens a minha "Palavra" que este canto não fechou, nem sequer para obras. Por e simplesmente ando a ver se consigo encontrar os meus pedaços que andam por aí espalhados.

Beijos grandes para todos, estou quase a reorganizar-me novamente e aí, hehehehehehe estão todos feitos pois a visitas aos VOSSOS cantos serão de bradar aos céus.

20 agosto 2007

O Sonho

Para me amares, terás de olhar para o meu corpo de mulher e reconhecer nele, as rugas da vida. Para me sentires, terás de entrar em mim, olhar-me nos olhos, beijar-me e lentamente observar-me, para ver se meu corpo responde às tuas perguntas.

Para me beijares, terás de ter a certeza se queres os meus labios colados aos teus. Para sentires a minha falta, terás de ter saudades do meu cheiro, das minhas mãos, do aveludado da minha pele e da forma como me entrego.

Para me quereres, terás de dar-me o melhor de ti para que eu, te possa dar a MULHER. E é como MULHER que ela fecha os olhos e o percorre. Não busca nada, simplesmente o sonha.

Fechada entre quatro paredes, imaginou o que lhe faria se estivesses a seu lado. Conseguiu vê-lo e sem querer, as suas mãos percorreram cada fio de seu cabelo como se neles residisse a resposta à pergunta que não ousava fazer.

Sem se conseguir conter, a sua imaginação continuou a fluir pois, a seu lado estava o HOMEM. Nunca ligara a regras. Nestas coisas do amor não existem regras. Por cada vez que a sua língua percorria cada veia saliente, saciou a sua sede. Lentamente foi descendo pois as ramificações daquele tronco, mereciam ser alimentadas e nelas deveria correr uma nova seiva.

Ela sentia o seu corpo vibrar de prazer por cada vez que o beijava ou que os seus dedos, teimosamente tacteavam os seus mamilos ou sua língua suavemente pousava no lóbulo da sua orelha enquanto dizia a palavra proibida. AMO-TE.

O calor emanado, fazia com que a temperatura do quarto lhe lembrasse que era verão. Estendeu a mão e alcançou o copo que repousava na mesinha de cabeceira. De lá, retirou um cubo de gelo que introduziu na boca. Matou assim o calor que sentia mas, antes que ele se derretesse, passou-o no seu ventre, aliviando-lhe o calor e quando este já estava a meio, suavemente percorreu-lhe as virilhas, deixando que o mesmo se derrete-se por entre cada músculo daquelas pernas.

Por cada som emitido por ambos, uma estrela brilhava no céu. Quando a sua mão O agarrou, ouviu-se um ténue, SIMMM ela habilmente contornou S, o I e para que o M fosse perfeito, a sua boca desenhou-o de uma forma tão perfeita e sublime que ele estremeceu. Ainda com os lábios completamente colados no seu ventre, ela sentiu que a mão que acariciava os seus cabelos, a empurrava contra ele.

Sem que ele desse por isso, estendeu a mão de novo ao copo, retirou outra pedra de gelo e esta de novo ganhou vida. Sentiu que suas mãos másculas desesperadamente agarravam o lençol, quando a boca ávida desenhou novamente o M fazendo-o sentir o choque térmico.

Sentiu-se ser puxada de uma forma bruta e sem pruridos gemeu. A cama, já cansada da espera, finalmente iria ser amada. Ele olhou para o seu corpo de mulher e reconheceu nele as rugas da vida.

Entrou sem bater, beijou-a lentamente, observou-a para ver se seu corpo respondia às suas perguntas e olhou-a nos olhos para confirmar a resposta. Sem esperar, confirmou colando-lhe os lábios e matou a saudade do seu cheiro, das suas mãos, do aveludado da sua pele através da sua entrega. Deu-lhe o seu melhor e ela, deu-lhe a MULHER.

Desta vez, não abriu os olhos, não se levantou e ainda inebriada disse: "assim sou como MULHER, até em sonhos respondo ao teu querer..."

26 julho 2007

Férias

Se o cansaço matasse, eu já teria caído para o lado.
Amigos, vou de férias, FINALMENTEEEEEEE.

Peço desculpa pela pouca atenção que vos tenho dado mas, não está fácil.

BEIJOS GRANDES A TODOS

P.S.
Volto em finais de Agosto. Mas vou tentar dar notícias

16 julho 2007

Dança de prazer


Já a meio a garrafa repousava no frappé e ao lado também a meio, um copo. Sentada, fixava a parede. Respirava suavemente e nos lábios um esgar anunciava que algo iria acontecer. No ar ecoava baixinho Leonard Cohen, “Dance me to the end of love”.

Levantou-se e um longo vestido branco cobriu-a deixando adivinhar um belo corpo. Avançou, ao primeiro passo uma singela racha lateral mostrou umas pernas bem torneadas, fortes e ao mesmo tempo delicadas. Ao fim de 3 passos lá estava ela, a meio da sala, a cadeira, ali se devia sentar. Ao invés, ignorou-a e seguiu até à parede do fundo. Defronte da mesma abriu os braços, levantou-os, encostou a palma das mãos à parede como se de um grande abraço se tratasse.

O tom castanho dourado das suas mãos sobre o amarelo da parede, deixavam na boca um sabor a terra, a África. Iniciou com as ancas uma dança composta por pequenos movimentos lentos, laterais e circulares, seguidos de pequenos flectir de pernas que transpiravam sensualidade. A música que agora ouvia, vinha de dentro de si.

O peso do calor era visível através dos caminhos deixados pelas gotas de suor. Do proeminente decote, umas costas brilhavam e pela forma como oscilavam, adivinhava-se o movimento do corpo. Baixou o braço e com ele uma alça caiu. Ao virar-se, um peito hirto balançou sem se quebrar. Com a graciosidade de uma pena outro braço pousou sobre a anca e uma mão, através de um bolso trespassou o vestido.

Dos lábios entreabertos saia o pecado, dos olhos a solidão, da rigidez dos seios o prazer e dela, a mulher. Os movimentos tornaram-se mais frenéticos e outra mão pousou sobre os seios. Pela forma como ambas se mexiam, uma calma e cuidadosa enquanto a outra ora louca, ora em sintonia com a 1ª percebia-se que o diálogo entre ambas era intenso, sentido, louco, carnal. O intervalo era feito com a ida de um dedo à boca, dando assim a oportunidade à língua de o percorrer, finalizando com um pequeno e suave toque na ponta. Pelo caracol que esta fazia, entendia-se que a dança estava no auge.

Os lábios já se entreabriam um pouco mais, para deixar sair as notas que vinham da pauta, cujo maestro eram os dedos. De repente, fez-se silêncio, os joelhos chocaram-se, os dedos dos pés subiram e espreitaram, a cabeça recostou-se à parede, uma mecha de cabelo caiu-lhe em desalinho sobre a face e um engolir em seco brotou da garganta.

Os primeiros passos foram trémulos. Com a mesma elegância inicial dirigiu-se para a poltrona. Sentou-se, agarrou no copo e matou a sede ao corpo. Uma brisa passava pela janela proveniente dos ramos da palmeira que dava sombra ao jardim. Respirou profundamente, olhou para aquela mão de prazer e deixou-se adormecer com um sorriso pela versão que ouvia, cantada por Celine Dion.

..."Oh baby what you've done to me
you make me feel so good inside
and I, just wanna be close to you
because you make me feel so alive
oh what you've done to me
close to you because you make feel so alive
You make me feel
You make me feel
You make me feel
Like a natural woman..."

09 julho 2007

Viaja em mim


Viaja em mim, como se o meu corpo fizesse parte do teu.
Faz dos teus dedos um barco e navega nos meus cabelos
suavemente, eu sentirei o teu doce toque e não te detenhas.
Minha face completa a tua, nela está o teu lado feminino,
encontra-te comigo nos meus olhos e espelha-te.
Sente o teu cheiro através de mim, roça os meus lábios e
prova o teu adocicado sabor.

Encosta a tua cabeça no meu pescoço, sente a tua força,
pousa-a no meu ombro, fecha os olhos, descansa em mim.
Apraz-te em meus seios que neles está maciez do teu peito.
Em silêncio, pernoita-te no meu ventre.
Enquanto te sentes, escorrega brandamente pelas minhas curvas,
elas são a tua viagem, o delicado suporte do teu tronco,
o meu apoio em ti.

Percorre as minhas pernas, elas são as hastes do teu compasso,
Dança com meus pés, vira-me suavemente, sobe o teu olhar,
Deixa-o cair sobre as minhas costas e vê a delicadeza das tuas.
Deita-te sobre mim, meu corpo suporta e completa o teu.
Vê como é belo o encaixe das minhas nádegas em teu ventre,
enquanto afasto as hastes do teu compasso, para que tu,
sem mais delongas, me toques e sintas como é bela a tua música,
através do meu vibrar.

(Viaja assim em mim enquanto estás longe)

03 julho 2007

Conversa entre sentimentos


Estava instalada a confusão naquele canto tão bem arrumadinho a que todos chamavam de coração. Nunca tal se tinha visto. Aquele que batia forte e que em estado de euforia cantava a sete ventos, estava agora de monco caído, taciturno a tal ponto que mal se ouvia o seu bater.

Já não falava às rosas e as orquídeas que em certas ocasiões tinham bastante saída, estavam guardadas a um canto à espera que uma gota lhes alimentasse a sede. O riso e o sorriso cochichavam entre si, a gargalhada mal falava e o suspiro passou a ser o rei da melancolia.

O assombro era geral. Ninguém percebia como é que a Atracção se apaixonou pela Paixão e esta se enamorou pelo Amor, sem que este nada fizesse para que isso acontecesse.

Pensativo andava o Amor tentando deslindar tudo isto pois, quieto que estava no seu canto, jamais pensou, que de tamanha quietude, pudesse resultar por parte da outra, um sentimento tão forte. Foi durante este processo que concluiu que nada tinha feito. Não tinha dado o primeiro passo, nem empurrado, nem sequer estado presente. Portanto, o enamoramento da paixão por si, foi uma obra unilateral.

Como pôde então a Paixão, alimentar tamanho sentimento estando o Amor ausente?

Sentada no seu canto, ria-se a Atracção enquanto dizia para o Enamoramento:

- Morto está o Amor de tanto pensar, que se esqueceu que as memórias da amizade, alimentaram a Paixão, a ponto de colmatar a ausência.

-Naaaaaaa!!!!!! (retorquiu o Enamoramento), ele esteve presente, mas é perito na arte do esquecimento. Ainda ontem falava eu com a Amizade e ela foi clara no que disse, “tudo começou comigo, na altura preocupei-me em dar-lhes a base para algo duradoiro. Pensei que isso era o necessário. Sempre achei que ela (a Paixão) não evoluiria mais. Enganei-me.”

- Hum... (exclamou a Atracção pensativa), enganou-se e bem. Tudo evolui. A Paixão não se apercebeu mas durante a sua amizade por mim, conheceu-te e agora que ninguém nos oiça, ela nas noites difíceis de tudo, teve sempre a Amizade a seu lado. Posso então concluir que, foi mais ou menos entre a Solidão, o Choro e o Riso que a luz se acendeu.
O Amor só soube depois. Coitado, foi apanhado tão de surpresa que não sabe o que fazer. Não sei porquê, mas algo me diz que ainda vamos ser culpados de tudo isto. Nunca percebi porque temos de estar metidos nestas alhadas.

- Chiuuuuuu, cala-te que ela aí vem. Não olhes, está com má cara. Ontem deve ter sido uma daquelas noites de clinex e pelo andar da menina, foi uma rave e peras.

Completamente extenuada, a Paixão sentou-se perante ambos e antes de ser bombardeada com perguntas disse:

- Falamos. Melhor, falei eu e ele ouviu calado. Expliquei que aconteceu, que nenhum de nós nem de Vocês teve culpa, que mesmo ausente, sentia a sua presença em cada canto, que fui às gavetas da Amizade (sem ela saber) e de lá retirei tudo o que precisava para matar a Saudade e que, nos poucos momentos em que Ele esteve presente, fui inconscientemente arrumando a casa. Pedi-lhe que nada fizesse, que continuasse a ser o mesmo, pois foi assim que o conheci.

Quase em coro a Atracção e o Enamoramento perguntaram: "vais devolver a Amizade???"
- Não, ambos concordamos que isso é a base de tudo, ela poderá ficar um pouco sensível mas teremos cuidado para não a melindrar.

- Hum...vocês conheceram-se há pouco tempo. Daqui por uns tempos, quando Ele para além da amiga vir a mulher eu visito-o novamente (disse a Atracção).
- Tchiiiiii, não te ponhas com visitas longas. Dá espaço, muito espaço que eu também lá quero ir molhar o bico (finalizou o Enamoramento).

- Deixem andar, não se metam em alhadas, eu cá me arranjo.

30 junho 2007

Os Agradecimentos

Esta vossa amiga não bate bem. Imaginem Voçês que a Sonhadora http://estaminhacasa.blogspot.com/ deixou-me em Abril uma prenda no sapatinho. Eu, que não estou habituada a estas coisas, agradeci e esperei pelo resultado. Ora do que estava eu à espera???? De nada. De repente ao navegar por outras páginas apercebi-me que afinal, tinha-me sido mesmo atribuído um prémio. Fico contente que este pequeno canto de desabafos consiga fazer pensar pois, este prémio foi criado para ser atribuído a blogs que nos façam reflectir.
Assim sendo vou cumprir a regra e passo a nomear 5 blogs que me fazem pensar:


- Ana ao Luar: www.analuar.blogspot.com -pela sensibilidade com que transmite a pureza dos sentimentos;

- Bruno: www.acepipesescritos.blogspot.com -pela forma fabulosa com que conta histórias, em textos bem estruturados onde cada um de nós, se pensar um pouco, se reconhece nalgumas personagens;

- O Alquimista: www.alquimiadossonhos.blogspot.com -porque cativa-me a forma como escreve ;

- Dias: www.diadoblog.blogspot.com -simplesmente porque a sua escrita e o seu canto são de uma elegância que me incentiva a seguir algumas das suas pisadas.

- Pedro: www.daspalavrasquenosunem.blogspot.com -porque a sua alma são as palavras.

Meus caros podem ir aos LINKS e escolher se querem




Pelos vistos isso pega-se.

Depois de contentinha, eis que sou surpreendida novamente pelo Bruno www.acepipesescritos.blogspot.com , deixa-me uma mensagem informando-me que posso começar a fazer o meu molhinho para o arroz.

O Blog com Tomates www.blogcomtomates.blogspot.com, é uma iniciativa que premeia Blogs que lutam pelos direitos fundamentais do Ser Humano.

A iniciativa partiu da Nathalia www.nathalia0105.blogspot.com, do Rob ( www.champ-vinyl.blogspot.com e da Isadora www.aprateleira.wordpress.com .

Como não sei de cor e salteado Os Direitos Fundamentais do Ser Humano www.unhchr.ch/udhr/lang/por.htm , resolvi revê-los para perceber onde me encaixo, não vá eu ter aceite algo para o qual não sei a minha contribuição e eis que o Art. 18 e 19 dizem tudo. E os que vão fazer parte do meu arrozinho são:

- Filipe: www.masbaseadoemque.blogspot.com , pela sua luta em mostrar-nos que devemos reivindicar. Como já não tenho forças, ele encarregou-se de gritar bem alto por mim e por outros.

- Alexandra: www.alex13-alexandra.blogspot.com , porque nos desperta para nós mesmos.

- Casa de Maio: www.casademaio.blogspot.com , por ser um canto em que as imagens valem por vezes, mais do que mil palavras e ao mesmo tempo mostra-nos que devemos ter orgulho do nosso cantinho à beira mar plantado.

- Marco: www.afontequenuncaseca.blogspot.com , pela forma como se expressa envolvendo quem o lê.

- De-Propósito: www.de-proposito.blogspot.com, pelas suas fabulosas escolhas e por nos dar a conhecer outras culturas.


Como se não bastasse o meu arrozinho vai ficar completo com este Prémio e eis que chegou o Blog com Grelos dado mais uma vez pela Sonhadora.
Sei que me vai perdoar por transcrever o que escreveu sobre este prémio, mas eu não escreveria melhor:

"premeia mulheres que, na sua escrita, para além de mostrarem uma preocupação pelo mundo à sua volta, ainda conseguem dar um pouco de si, dos seus sentires e ,com isso, tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor. A escrita no feminino, em toda a net lusófona tem que ser distinguida."


As nomeações terão que ser só femininas e os grelos vão para:

- Vida de Vidro: www.vidadevidro.blogspot.com
- Collybry: www.olharindiscreto.blogs.sapo.pt
- Impulsos: www.impulsosdalma.blogspot.com
- Noite: www.noite.do.sapo.pt
- Pitanga: www.pitangadoce.blogspot.com

Obrigada a todos por tornarem este canto especial. Nas vossas casas aprendo e busco inspiração. Em voz encontro o ombro amigo para os bons e maus momentos.

P.S- Pipo tenho saudades TUAS
Um beijo a Todos

28 junho 2007

Madame X


Madame X é uma mulher que há poucos dias ultrapassou os 50 anos de idade e como se não bastasse, iniciou a crise do pneu aqui e ali. Hoje é um dia especial, tinha um encontro. Levantou-se, olhou-se ao espelho e sorriu. Afinal não estava assim tão mal. O conjunto que comprara na loja de lingerie assentava-lhe que nem uma luva. Esticou o cinto de ligas e apertou-o às meias.Em seguida a sua mão percorreu o corpo em sentido ascendente, tocou o peito, os lábios entreabriram-se e deles saiu um suspiro. Fechou os olhos e gozou o prazer de o sentir, já há muito que não o tocava com tanta intensidade.

O barulho que entrara pela janela fê-la sair daquele transe. Olhou para o relógio e soltou um gritinho estridente. Estava atrasada como sempre. Colocou sobre o corpo um vestido vaporoso e saiu. No meio daquela correria, nem sequer reparara nos olhares que lhe eram lançados.

Avistou ao longe o seu encontro. Desacelerou o passo, recuperou o fôlego, levantou levemente a cabeça e avançou sem medo. Estava nervosa, já há muito que tinha desistido de investir nessa parte da sua vida. Sempre achou que ninguém se ia interessar por uma carcaça velha como ela.

Ele deu-lhe o braço (como um cavalheiro deve fazer) e levou-a à esplanada do café mais frequentado da cidade. Queria exibi-la aos amigos que ansiosos, aguardavam a chegada daquela que tinha dado a volta ao mais popular do grupo.

Sentaram-se, ela encheu o peito de ar e olhou em volta. O seu olhar parou exactamente num grupo de rapazes e raparigas sentados a uns poucos metros da sua mesa, não percebia o porquê daqueles olhares insistentes. Pensou que talvez estivesse deslocada ou que era um olhar de crítica pelo facto de seu par ser bastante mais novo.Nervosa, voltou a encher o peito de ar e de soslaio, percebeu que aqueles olhares incidiam sobre o seu peito.

Sentiu-se orgulhosa pois no olhar delas lia-se a inveja, no deles o espanto e pensou, como era possível ainda cativar tanto. Levantaram-se, dirigiram-se para o carro e entraram.

O velho MG parou em frente ao mar mesmo à hora do pôr-do-sol, era verão e ainda se sentia no ar o bafo do calor. Ela olhou em volta e notou que estavam sós e eis que surge a pergunta:
- "Posso?"

O rubor sobe-lhe às faces. Há muito que ninguém lhe tocava. Sentiu um vulcão de sentimentos e num sussurro responde simplesmente:
- "Sim".

Quando lhe pousou a mão, sentiu aquele calor que horas antes sentira. Voltou a fechar o olhos e proferiu um:
- "aiiiiiiiiii"

Ele retorquiu:
- "Peço desculpa mas já não conseguia resistir, possui uma força incrível."

As lágrimas caiam-lhe pela face. Essa força de que ele falara, ela tinha-a sentido no dia em que terminara o curso e seu pai após ter-lhe vendado os olhos, colocou sobre o seu peito um objecto dizendo:
- "Sente a sua força, dentro do teu peito"

Quando Madame X retirou a venda, pousado estava, um lindo medalhão em forma de cruz. Enquanto a beijava seu pai dizia:
- "Essa força que sentiste, é a tua coragem para venceres os teus obstáculos ao longo da vida. É a força da humildade. É a força que te ensina o caminho de casa, caso te percas e é a força que diz que nada constróis sozinha."

24 junho 2007

Por hoje chega.


Por hoje chega, é preciso descansar, fechar os olhos e sonhar.
Amanhã será outro dia, mais uma chance, mais uma tentativa
sem certezas, sem promessas, só a conquista do dia a dia
o sentir da alma que vagueou no seu Eu, em busca do nada de tudo.

Por hoje chega, foram-se os momentos, os estadios de alma,
já gritamos, choramos, rimos e agora, agora descansamos.
Para-se a busca pela vida, pelo olhar, está na hora de ir,
voar, sentir e dizer de uma forma corajosa, por hoje chega.

Meu olhar, meu riso, minha alma, meu brilho
meu por do sol, meu arco-íris,
a minha crença, meu Anjo,
minha atenção, minha palavra,
meu conjunto, minha justiça,
meu passo, meu norte,
minha rota, minha sorte
meu amor, minha paz
meu sentir, de novo meu Eu,
foi-se o grito, atraquei no meu porto,
este barco de novo seguro

Por hoje...

18 junho 2007

Fé num desabafo...


Não posso descrever o indescritível
Não posso desacreditar o desacreditado
Não devo discriminar o já discriminado
Não quero fazer parte do imperceptível

Não sei desconfiar do ser humano
Não posso perder a fé que tenho nele
Não posso desamar o que herdei dele
Não quero fazer parte desse lado insano

Não quero desperdiçar o meu riso
Não posso magoar o meu desgosto
Não posso ter uma máscara no rosto
Não consigo ausentar-me da minha ausência

Mas posso dizer que:

O meu riso, procura alimento nos Outros
A minha alma, brilha na Vossa
O meu amor, nasce do Vosso
A minha ausência, é sinal de tristeza
A minha crença, está abalada
O meu norte, está desalinhado
A minha rota, de novo busca o norte
O meu sono, sofre de insónias
A minha simpatia, está desnivelada
O meu olhar, perde-se no horizonte
O meu por do sol, é a noite
O meu Arco-íris, perdeu uma côr
O meu passo, tornou-se lento
A minha palavra, inaudível
O meu Anjo, está mudo
A minha atenção, entorpecida
O meu senso de justiça, pensativo
A minha noção de conjunto, em litígio
O meu Eu, numa acção de divórcio

Mas, mesmo assim, continuo a achar que o ser humano, mesmo provocando em mim toda esta amálgama de sentimentos, merece a minha fé.
Provavelmente o erro está em mim.
Provavelmente ele deu-me o que era capaz.
Provavelmente eu é que criei expectativas a mais.
O ser humano limitou-se a ser ele mesmo e Eu, limitei-me a ser Eu.

No fundo Ele é fabuloso enquanto colectivo ou uno. Eu é que provavelmente tenho de reinventar a minha aprendizagem e apurar a minha fé Nele.

16 junho 2007

Dei luz à minha àrvore ao responder


A amiga Silencios na Noite http://silenciosnanoite.blogspot.com/ lançou-me o desafio, embora em descanso não podia deixar de o aceitar.

O desafio consiste em completar as frases....

Eu quero: trabalhar menos
Eu tenho: de repensar a minha vida

Eu acho: que estamos cada vez mais egocêntricos
Eu odeio: a hipocrisia, a falsidade, a mentira, o cinismo

Eu sinto: que aprendi com o que perdi mas que, por mais atenta que esteja, vou voltar a errar

Eu escuto: as pessoas e o que me rodeia
Eu cheiro: a vida

Eu imploro: normalmente a Deus, para que a sociedade em geral se aperceba que possui a força necessária para mudar
Eu procuro: ser feliz e fazer alguém feliz

Eu arrependo-me: de por vezes não ser mais paciente, pois perco muito com isso.
Eu amo: os meus familiares, amigos (um em especial)

Eu sinto dor: quando os que amo sofrem
Eu sinto a falta: do meu pai que está longe e vou sentir a de um amigo que vai passar a estar

Eu importo-me: que os outros nao estejam felizes
Eu sempre: tento estar ao lado dos que me amam, principalmente nas horas más

Eu não fico: expectante
Eu acredito: no ser humano, no destino, nas coincidências, no espiritual.

Eu danço: quase tudo. Aprendi com o meu pai (em cima dos pés dele)
Eu canto: tudo. Música popular e tradicional portuguesa e adoro o fado

Eu choro: Quando não estou bem, quando sinto saudades, quando amo muito
Eu falho: Sim, algumas vezes

Eu luto: Sou uma lutadora por natureza
Eu escrevo: Sim, mas nem todos os dias.

Eu ganho: Por cada vez que consigo fazer alguém sorrir
Eu perco: Muitas horas de sono...

Eu confundo-me: às vezes, principalmente quando estou cansada
Eu estou: com uma dor muito grande no peito, desiludida, etc

Eu fico feliz: quando o “palhaço” me liga e quando consigo ter os meus amigos todos juntos
Eu tenho esperança: Que a vida vai melhorar e que ainda vou conseguir reconquistar o tal

Eu preciso: de ter um pouco mais de paz
Eu deveria: por vezes pensar mais em mim

Eu sou: autêntica
Eu não gosto: que me façam de parva

Eu sou assim.

11 junho 2007

Breve Descanso

Vou fazer a cama e deitar-me,
Fechar os olhos e descansar um pouco,
assim, vou ausentar-me
assentar as ideias para não parecer aquele louco.

Tentarei ir visitar-vos sempre que possível
mas assim terá de ser
tenho saudades do apetecível
de tanto que faço, esqueci-me do que tem de ser.

Beijos a todos

29 maio 2007

Um Rio chamado vida

Altivo corre por entre as pedras. Puro, singelo, incolor, num corrupio estonteante, desenhando nas curvas que faz, as ondas da vida. O seu sonho era passar duas vezes pelo mesmo caminho, para apagar os erros do passado mas, tal não era possível. Os erros cometidos, já não podiam ser lavados.

A força dessa vontade era tanta que de uma forma avassaladora, levou consigo os abrigos dos que nele cuspiram, conspurcaram, mudaram o seu rumo, criaram barreiras. A raiva fora tanta, que nem se apercebeu que no meio da devassidão criada, o justo também tinha pago. Aí, chorou pela sua falta de coerência e as suas lágrimas formaram pequenos ribeiros, que se afastaram de si, traçando eles próprios o seu rumo. Talvez se encontrem num mar qualquer.

Não conseguindo esquecer o passado, secou e por uns tempos ficou escondido. Vieram as rezas, as oferendas, as juras e debaixo da terra já em sulcos, ele ouvia-os. A notícia de que ele deixara de ter forças para correr propagou-se e como que por milagre, um pequeno fio desceu ao seu encontro, percorrendo-o levemente. Durante a passagem, apercebeu-se que ele tinha sido a última lágrima derramada. Aos poucos subiu à superfície e calmamente iniciou a sua caminhada. Desta vez, de uma forma calma e pacífica.

De vez em quando o rio volta ao seu interior para meditar e reconstruir se necessário for o seu rumo. Aceitou que por vezes, a solução não está em voltar atrás e que mesmo ele, por vezes, tem de contornar os obstáculos para atingir um objectivo.

21 maio 2007

"Uma história simples" (para os que me lêem)

Era uma “Noite” daquelas que apetece juntar os amigos e fazer uma grande tertúlia. Há muito que pensava nisso mas ainda não tinha arranjado tempo. Pegou na caneta e começou a fazer a lista daqueles que tornariam essa noite a mais rica de sua vida. Começou por escrever o “Mago dos Sonhos”, já há muito que não falavam. “Maria” estava entusiasmada, pois sabia que o próximo fim-de-semana, seria perfeito.

Percorreu os olhos pela parede da sala e lá estavam pendurados todos aqueles que em “Silêncio”, eram testemunhas da sua luta e todos tinham algo em comum, eram a obra prima do "Philstudio". O seu pensamento foi interrompido pelo vizinho de cima o “Amaral” que “sempre acreditou no amor”. Escreveu numa folha o recado que tinha para lhe dar e este dizia: “a.s” já tem o “poliedro” que encomendaste.

Abriu a janela e olhou para o vale coberto de “Miosótis” e por “Momentos”, respirou aquele ar que lhe lembrava “O Cheiro da Ilha” e “Sonhadora” disse para si: “Esta é a minha casa”. Um pouco mais abaixo viu sair o “Vladimir da Lapa” que parou mesmo em frente da loja de “José O Falso Poeta” (assim se denominava), provavelmente estava a olhar para o livro que estava na montra, o título era sugestivo, chamava-se “Taradisse” . O autor chamava-se "Brain" era a história de uma “Moura ao Luar”. Antes de fechar a janela viu que a pitangueira da "Casa de Maio" estava carregada, e disse para si:

- Se a “Menina do Rio” por ali passasse diria que “Pitanga Doce...”.


Fechou a janela, o “Silêncio” era tal que ouvia os “Impulsos” do relógio de parede e nem “De-Propósito”, voltou à lista e acrescentou, “Vladimir”, “Isabel” e “Késia Maximiniano”. Enquanto revia os nomes, não fosse o diabo tecê-las e faltar alguém, ligou a tv pois queria ver a reposição de “Sandokan”. Na mesa ao lado ainda repousa aberto na pag. 74 "O Alquimista", tinha de ler mais umas linhas hoje.

Mais feliz do que nunca, reparou que iria juntar um naipe fabuloso em sua casa. Talvez houvesse tempo para se falar um pouco da "Chama Violeta" . Ah! importante ligar ao "Pedro", pedir que traga a viola e que não se esqueça da letra "Das palavras que nos unem". O mote seria “Verdades” de um blog “Mas baseado em quê?“ escrevinhou, pedir ao “Filipe” para trazer aquele vinho.

Voltou à janela, sentou-se naquele largo parapeito e com "um olhar indiscreto", apreciou aquele luar imenso, num tamanho céu "Azul". De longe quem a visse teria a imagem do quadro de "Ana Luar", feliz, olhou para o céu e proferiu:

- Como é bom "lê-los" a todos.

17 maio 2007

Amanhã Vivemos


Soluçou baixinho para que ninguém ouvisse depois, ora compulsivamente, sofregamente e sem que nada pudesse prever, uma mão pousou suavemente, abafando o soluço que de uma forma obstinada, teimava em sair.

Sentiu o seu respirar ténue, subindo levemente, como uma simples brisa e por fim o "shiuuuu".

Não conseguia parar de tremer e de olhos fechados, revivia o roçar intenso de seus corpos suados, emanando o cheiro característico de quem ama.

"Shiuuuu", ouviu de novo. Desta vez soluçou baixinho, sem deixar de sentir que algo percorria o seu corpo. Gota a gota, uma lágrima caia juntando a outras tantas de suor, cada uma percorrendo o seu caminho, indo desaguar num mar de prazer nenhuma fugindo ao seu destino final.

Gemidos contidos, mãos entrelaçadas puxando para si uma amálgama de sentimentos frenéticos, lençóis em desalinho, bocas que teimavam em tocar-se substituindo cada palavra pensada e pronta a ser proferida, pela cor de um beijo.

De novo a convulsão, desta vez em uníssono, "shiuuuu",desta vez seguido de um longo olhar e foi nesse instante, que no dela leu o medo da partida, a dor de tanto amar, o ódio de mais uma despedida, o sonho a dois desfeito, as conversas mal resolvidas, os encontros e desencontros da vida, o prazer de todos os prazeres.

Sem reservas repetiu a palavra que mais ouvira "shiuuuu", hoje escrevemos a primeira quadra do nosso poema, temos o resto da vida para acaba-lo".

Ela aconchegou-se, deixou sair um suspiro e disse "hoje por cada lágrima caída, lavei a tua partida, esqueci a dor sentida. Por cada gota suada comemorei a minha espera e o teu prazer em mim. Sei quem sou, quem és e o nosso poema, foi escrito na volta do tempo, esta quadra é a memória do hoje. Amanhã, amanhã vivemos".

15 maio 2007

Ausência


Se a ausência falasse, diria que as estrelas perdem o seu brilho sem ti
Que o luar escuresse assim como os meus olhos, quando te vejo partir
E que o sol, por mais que brilhe, não aquece o meu sentir
mas a ausência não fala, faz-me somente pensar no que sou, sem ti

É recente, essa amizade com a ausência
Conhecia quando a porta se fechou, para dar lugar ao vazio
reconhecia quando se abriu e nao eras tu, mas um arrepio
profundamente sentido, quando disse que a sua graça era, ausência

Mas que graça essa, que sem graça, ensina a desamar?
Não pode ser uma graça bem-vinda, quando nos deixa sem ar
E de noite nos gela o leito, seca-nos a lágrima antes de chorar
Só para lembrar, a importância de assim se chamar

Mas a ausência não fala, faz-nos somente sentir a sua presença
Para lembrar que esse sentir, pode ser a saudade de quem volta,
Como a partida de quem outrora, prometeu uma reviravolta
Nesse arrepio sentido no abrir da porta, anulando, a sentida sentença.

Se a ausência falasse, diria que escreve-la, não é enaltece-la
É reconhece-la, remete-la sem endereço nem código postal
Esquecendo assim esta morada, para que a tua volta seja natural
O bater da porta, um sinal que não voltarei a senti-la

Hoje escrevo à ausência esquecida, ontem sentida. Amanha, não sei. Talvez sorria com tua ausência, por ser somente uma falta de comparência e meu leito, ontem gelado, embora vazio, mantê-lo-ei aquecido com a lembrança da tua breve passagem, hoje presente e profundamente sentida.

No futuro, acharei graça quando lhe perguntar a graça e nesse momento pelo meu riso, saberá (a ausência) que foi uma amizade passageira, vivida, sentida e hoje esquecida.

05 maio 2007

O Poeta


Vagueias à procura da rima perfeita, para lhe seres fiel
a mágoa que tens contida em ti, transforma-se em ideia
e letra após letra, vais deixando a tua marca nesse pedaço de papel
numa luta constante contra o eufemismo que te incendeia

Quem és tu que escreves a dor, a mágoa, as paixões
Quem és tu que choras o desamor e te apaixonas pela atracção
Quem és tu que abalroas as convicções, sem pavor das retaliações
Quem és tu, que mesmo sabendo, deixas-te levar pelas emoções

És a voz de um colectivo revoltado, a alma de um povo resignado
sem quereres és Pessoa, és Bocage, és letrado e iletrado
buscas a força numa quadra, onde choras por seres mal amado
culpas a raiva pela dor que sentes, por cada vez que és maltratado

Porque escreves ao tempo, quando não encontras o teu pequeno canto
Porque transformas a insónia num poema e este, na tua sorte
Porque da ode fazes o teu canto e do teu canto, o teu pranto
Porque fazes da vida uma luta constante e do outro, o teu norte

Ó alma agitada, acalma o teu peito num regaço e escreve esse feito
Fecha os olhos, ama-te à lua, faz das estrela a tua cama, o teu manto
Ó alma que buscas o perfeito, escreve de uma vez o imperfeito
engana essa dormência, bebe a Baco, liberta-te, não exijas tanto

Viaja no teu Eu masculino e feminino sê importuno
esquece a desdita, bajula a tua felicidade, desafia a veleidade
Serás sempre o poeta, dos enfermos, raivosos, do pecador soturno
E serás enaltecido, por teres vivido num pedaço de papel sem vaidade

És assim, despido de preconceito, um pecador confessando-se no que escreve, moral ou imoral sem afeição a um só conceito e com toda a tua arte, resumes a dor e o amor numa frase, mesmo que breve.